Escolha uma Página

12º Tema: Línguas e Interpretação

“Quem fala em línguas, peça na oração o dom de as interpretar” (1Cor 14,13)
Busquemos entender o que sucedeu em At 2,1-13. De um lado, encontramos os cento e vinte discípulos que saem do cenáculo, glorificando a Deus em diversas línguas, segundo o Espírito Santo lhes concedia que se exprimissem (vs. 1-4). De outro lado, uma multidão heterogênea de judeus da diáspora, que puderam reconhecer a sua língua materna, ou seja, este grupo recebeu o dom da interpretação das línguas (vs. 5-12), porém, os outros grupos, provavelmente os judeus de Jerusalém, não entenderam nada e zombavam dos discípulos (v 13). E ainda, ao falar Pedro, na sua própria língua, todos entenderam (vs. 14-41).
O dom de línguas, além de se expressar no orar e cantar, também se manifesta através do “falar” em línguas, que deve ser acompanhado do seu complemento, o dom da interpretação, que tem como propósito a edificação dos fiéis e a convicção dos descrentes (1Cor 12,10; 14,5. 13. 27-28).
A oração e o canto em línguas são dons permanentes e de caráter particular e pessoal, podendo-se dispor dele a qualquer momento para a edificação pessoal; por isso, não requer necessariamente a interpretação, pois é uma oração feita a Deus. Embora de caráter pessoal, ela pode ser exercitada também de modo coletivo, o que acontece nas assembléias onde todos exercem o orar e cantar em línguas, ao mesmo tempo; obviamente, não supõe interpretação. Isto não quer dizer que não aconteça, pois, pode acontecer de orar e cantar em línguas e de orar e cantar com o entendimento (1Cor 14,14-18).
Já o falar em línguas não é uma oração, mas uma mensagem dirigida à assembleia. O Espírito dá a alguém a inspiração de “falar em línguas” em alta voz. Suas palavras contêm uma mensagem espiritual para um ou mais ouvintes. A mensagem permanece incompreensível, enquanto não for interpretada.
O dom da interpretação é a compreensão do que foi dito em línguas. O Espírito Santo concede que se compreenda o que está sendo dito em línguas. Esta compreensão se dá com o “coração”, e não através de uma tradução conceitual e gramatical das palavras. Este carisma pode ser dado tanto à pessoa que está orando ou falando em línguas, quanto à outra pessoa que está participando do grupo de oração. A mensagem interpretada assume, regularmente, as características de uma profecia carismática, que, segundo S. Paulo, edifica, exorta e consola a assembleia. O dom de profetizar em línguas e o de interpretá-las são dons que se complementam reciprocamente: “aquele que tem o dom de falar em línguas reze para ter o dom de interpretá-las (1Cor 14,5.13.26-28).
Como a interpretação se manifesta
Ao proclamarmos uma mensagem de Deus em línguas é necessário suplicarmos o dom de interpretá-la. Este dom se manifesta na mente da pessoa que recebe o significado da mensagem, e esta é movida a repassar com palavras inteligíveis a todos os presentes a mensagem que vem do Senhor. A mensagem em línguas pode ser curta ou longa, porém a interpretação dever ser concisa e clara, para que todos entendam. O Senhor não envia uma mensagem em partes, portanto, a interpretação deve trazer a mensagem em sua totalidade e não dividida em partes. Mais de uma pessoa pode receber a mesma interpretação de uma mensagem, nesse caso o comportamento deve ser o mesmo do utilizado nas profecias e dizer: Eu confirmo!

Compartilhe esta postagem: